O DNA da Toyota

Atualizado: Ago 27

O sistema de produção da Toyota tem sido amplamente estudado e utilizado como base para sistemas produtivos de outras empresas. Porém, nem todas são capazes de obter resultados eficazes. São, aliás, poucas as que conseguiram descodificar e aplicar este sistema com sucesso.

         

Compreender o TPS (Toyota Production System) passa, em primeiro lugar, por perceber o foco na padronização, que resulta em cada actividade, conexão e fluxo de produção nas fábricas da Toyota detalhadamente descrito e documentado, sem que isso implique a perda de flexibilidade das operações. Alcançar este tipo de modelo, rigoroso mas adaptável, requer a disciplina intrínseca à utilização do método científico, como aquele que conhecemos por PDCA (Plan Do Check Act), onde cada especificação é definida pela criação de uma hipótese que é testada antes de ser implementada em definitivo.

           

O mesmo rigor é aplicado ao processo de mudança. Após uma avaliação detalhada ao estado actual das coisas, é delineado um plano de acção orientado para a melhoria, que passa forçosamente por uma comprovação, num ambiente real, das soluções propostas.

         

 Na base do TPS, encontram-se 4 regras que moldam a estrutura deste modelo produtivo:


1.      Como as pessoas trabalham;

O trabalho, seja ele qual for, deve ser altamente especificado em todas as suas componentes (conteúdo, sequência, duração e resultado), para que desvios possam ser facilmente detectados e analisados na perspectiva da melhoria.


2.      Como as pessoas e processos se ligam;

A relação entre clientes e fornecedores deve ser directa e clara e consequentemente as necessidades de uns são facilmente compreendidas e despoletam imediatamente a acção correspondente nos outros.


3.      Como a linha de produção é construída;

Para cada produto e serviço, a sequência de processos que acrescentam valor deve ser simples e directa, garantindo que o produto flui entre pessoas e máquinas.


4.      Como é assegurada a melhoria contínua;

Todos os trabalhadores de produção são incentivados a melhorar os processos nos quais participam, sempre sob orientação, como forma de assegurar que estas são feitas usando o método científico.


Apesar da aparente rigidez do TPS, nenhuma prática ou ferramenta utilizada pela Toyota se pode considerar como essencial. É aqui que entra a referida flexibilidade, na medida em que essas práticas constituem respostas temporárias para um problema específico, apelidadas pela Toyota de “contramedidas”. Esta resposta temporária é utilizada até ser encontrada uma solução melhor ou mais adequada para as circunstâncias.


O impacto deste sistema produtivo resulta na capacitação e responsabilização das pessoas pelo seu próprio trabalho, permitindo que tanto melhorias nos processos como a resolução de problemas sejam feitas em todos os níveis da organização.


A utilização deste modelo encaminha a Toyota para aquilo que considera ser ideal: a produção sem defeitos e sem desperdícios, o fluxo de uma peça ou em pequenos lotes, a entrega imediata e a produção num ambiente física, emocional e profissionalmente seguro para os seus trabalhadores.





Leia o artigo original da Harvard Business Review por H. Kent Bowen e Steven Spear.


17 visualizações

Claudia Pargana Consultores lda | claudia.pargana@gemba.pt |+351 916877416

  • Linkedin | Claudia Pargana